O envelhecimento da população brasileira está criando novas demandas relacionadas à moradia, aos serviços e à qualidade de vida. Esse cenário foi o tema central do evento Senior Living Meeting – Oportunidades do Mercado Imobiliário para a Longevidade, realizado pelo Secovi-SP em 20 de agosto, reunindo especialistas para discutir o desenvolvimento desse mercado no Brasil.
O encontro abordou o Senior Living sob diferentes perspectivas, incluindo investimentos, arquitetura, operação dos empreendimentos e comportamento do consumidor com mais de 60 anos. A programação demonstrou que a longevidade deve ser compreendida não apenas como uma questão demográfica, mas como uma transformação capaz de gerar novos modelos de negócios para toda a cadeia imobiliária.
Uma nova classe de ativos imobiliários
Na abertura, Caio Calfat, vice-presidente Extraordinário de Assuntos Turísticos Imobiliários do Secovi-SP, apresentou o contexto do envelhecimento da população brasileira e o surgimento do mercado de Senior Living.
Também foram discutidas as oportunidades de investimento nesse segmento, considerado uma classe de ativos com potencial de crescimento e resiliência. O aumento da longevidade abre espaço para empreendimentos com diferentes modelos de propriedade, locação, prestação de serviços e parcerias entre incorporadores, investidores e operadores especializados.
Arquitetura voltada à longevidade
A palestra de Norton Melo, CEO da Bioeng Projetos, tratou do desenvolvimento imobiliário e das soluções arquitetônicas destinadas à população longeva.
Mais do que atender às normas de acessibilidade, esses projetos precisam considerar segurança, autonomia, conforto, convivência e flexibilidade. Ambientes bem planejados podem acompanhar as mudanças nas condições físicas e nas necessidades dos moradores ao longo do tempo. Eles evitam adaptações improvisadas e prolongam sua permanência com independência.
Nesse contexto, conceitos como desenho universal, acessibilidade, iluminação adequada, prevenção de quedas e integração de tecnologias assistivas passam a fazer parte da concepção dos empreendimentos.
Operação e experiência do morador
Outro tema central foi a operação dos empreendimentos de Senior Living. Luciano Zuffo, sócio-fundador do Grupo São Pietro, abordou os desafios relacionados à gestão, à experiência do morador, à oferta de serviços e à sustentabilidade econômica do negócio.
O debate mostrou que não podemos avaliar um empreendimento voltado à longevidade somente por suas características físicas. Sua qualidade também depende da operação cotidiana, da capacitação das equipes, das atividades de convivência, dos serviços oferecidos e da capacidade de proporcionar segurança sem retirar a autonomia dos residentes.
A nova geração prateada
O encontro também analisou o perfil do consumidor sênior. Martin Henkel, fundador da SeniorLab, apresentou as transformações no comportamento da população com mais de 60 anos e as tendências que estão redefinindo moradia, consumo, serviços e experiências.
Essa nova geração longeva é mais diversa, ativa e conectada do que os antigos estereótipos associados à velhice sugerem. Por isso, as empresas precisam compreender suas expectativas, preferências e diferentes níveis de autonomia para desenvolver produtos imobiliários adequados.
Complementando essa discussão, Pip Seger e Isabelle Sandi, da consultoria O Cérebro, apresentaram o relatório Brands for the Future. O estudo aborda os hábitos de consumo da chamada Nova Geração Prateada e os desafios que esse público apresenta às marcas.
O citado relatório, recém lançado, pode ser baixado neste link.
Um mercado em processo de amadurecimento
As discussões do Senior Living Meeting evidenciaram que o Brasil reúne condições para o desenvolvimento de um mercado mais estruturado de moradias voltadas à longevidade. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios relacionados à viabilidade econômica, à diversidade dos modelos de negócio, à qualificação dos operadores e à compreensão das reais necessidades do público sênior.
O avanço desse segmento dependerá da colaboração entre incorporadores, arquitetos, investidores, operadores, profissionais de saúde, especialistas em tecnologia e representantes da própria população longeva.
Mais do que criar empreendimentos destinados a uma determinada faixa etária, o Senior Living propõe uma reflexão mais ampla: como projetar espaços, serviços e experiências que permitam viver mais, com autonomia, segurança, bem-estar e participação social?
Fonte: Secovi-SP — Senior Living Meeting.




