Prédio inteligente terá de consumir menos, e não apenas acumular tecnologia
Gisele Abrahão, fundadora e CEO da Plataforma Impactos Positivos

Prédio inteligente terá de consumir menos, e não apenas acumular tecnologia

O prédio do futuro pode ter menos tecnologia aparente do que se imagina. Para Gisele Abrahão, fundadora e CEO da Plataforma Impactos Positivos, a inteligência de um edifício será medida menos pela quantidade de sistemas instalados e mais pela capacidade de reduzir o consumo de energia e água, administrar resíduos e antecipar problemas. “Inteligência não é quantidade de tecnologia. É qualidade das decisões”, afirma.

A inteligência artificial pode acelerar essa mudança ao analisar padrões de ocupação e ajustar automaticamente a operação dos edifícios. Sistemas podem reduzir a climatização de áreas vazias, detectar vazamentos, antecipar manutenção e combinar previsões meteorológicas com geração solar e armazenamento de energia. A tecnologia, na visão de Abrahão, deve permanecer em segundo plano. “Quanto mais inteligente o prédio, menos precisamos pensar na tecnologia.”

O tema está relacionado ao Encontro Impactos Positivos 2026, marcado para 24 de setembro na FIAP em São Paulo, que terá como eixo “Inteligência Artificial para Acelerar o Impacto Positivo”. No evento também ocorrerá o Prêmio Impactos Positivos, dividido nas categorias Ideação, Tração, Operação e Dinamizador do Ecossistema.

No setor imobiliário, a discussão sobre IA ocorre em paralelo à busca por maior eficiência operacional. Sensores podem diminuir iluminação e climatização quando ambientes estão vazios, enquanto sistemas de gestão podem identificar padrões de consumo e desperdícios. “Antes de gerar mais energia, precisamos desperdiçar menos”, diz Abrahão.

A mesma lógica vale para a água. Captação de chuva, reúso e monitoramento permitem acompanhar quanto um empreendimento consome e reaproveita. Nos resíduos, sistemas de rastreabilidade podem medir quanto é reciclado, compostado ou desviado de aterros.

Parte dessas soluções já está disponível. Abrahão cita empresas ligadas à Plataforma Impactos Positivos que atuam em diferentes frentes, entre elas, Trashin e Realixo, em resíduos; Aqualuz, em água; Órigo Energia, em geração solar; Eco Panplas, em reciclagem de plásticos; e Zenklub, em saúde emocional. “Não estamos falando apenas sobre como será 2040. Estamos falando sobre soluções que já existem em 2026 e que precisam ganhar escala dentro dos edifícios”, afirma.

Essa escala depende também de conveniência e custo. Abrahão argumenta que tecnologias ambientais terão dificuldade de avançar se exigirem esforço adicional dos moradores. Aplicativos podem centralizar serviços, manutenção, carregamento de veículos e até o compartilhamento de equipamentos de uso eventual.

O conceito de eficiência também começa a incorporar fatores que vão além do consumo. Qualidade do ar, iluminação natural, conforto térmico e acústico podem se tornar indicadores de desempenho ao lado dos custos tradicionais de operação.

Para Abrahão, essa mudança exige ampliar as métricas usadas pelo setor imobiliário. Além de valor do metro quadrado e rentabilidade, empreendimentos poderiam acompanhar carbono evitado, água reutilizada, resíduos desviados de aterros e energia limpa produzida. A proposta segue a premissa da Plataforma Impactos Positivos de incluir impacto na mesma equação de lucro e risco.

Se essa lógica avançar, a diferença entre um prédio conectado e um prédio inteligente estará menos nos equipamentos instalados e mais nos resultados produzidos ao longo de sua operação. “Não basta causar menos impacto negativo”, diz Abrahão. “Precisamos começar a projetar edifícios capazes de deixar um impacto positivo.”

Leia também Inteligência artificial torna os edifícios ainda mais eficientes no consumo de energia
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